AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DA DOENÇA DE ALZHEIMER

24/07/2010 10:43

Comprometimento cognitivo deve ser necessariamente investigado nas fases iniciais de aparecimento deste sintoma. Dificuldades para memorizar novas informações e para realizar tarefas de pequena a média complexidade exigem um diagnóstico diferencial: seja para determinar a presença de outro transtorno que traz o déficit cognitivo associado ou detectar a presença de sinais precoces da Doença de Alzheimer ou ainda a existência de uma comorbidade importante. Trata-se de uma doença extremamente frequente e a prevalência deve crescer com o aumento da expectativa de vida da população. O disgnóstico precoce da Doença de Alzheimer traz alguns benefícios, embora por vezes estes não sejam tão claros. O tratamento sintomático pode ser eficiente em muitos casos. É importante ressaltar que o comprometimento cognitivo do idoso nem sempre é causado por uma doença de caráter irreversível como a Doença de Alzheimer. Muitas vezes são outras as causas, algumas potencialmente reversíveis, tais como a depressão, disfunção tireoideana, carência vitamínica, doença vascular cerebral, entre outras. Do ponto de vista neuropatológico, a Doença de Alzheimer se caracteriza pelo acúmulo de duas lesões principais: as placas neuríticas extracelulares, compostas principalmente de peptídeo Beta-amilóide, e emaranhados neurofibrilares intraneuronais, cujo constituinte molecular básico é a proteína tau hiperfosforilada (P-tau). Os níveis do peptídeo Beta-amilóide e das proteínas tau total (T-tau) e P-tau no líquido cefalorraquidiano (LCR) têm se mostrado úteis como BIOMARCADORES do diagnóstico da Doença de Alzheimer. A chamada "assinatura" destes biomarcadores na doença inclui a diminuição do peptídeo Beta-amilóide-42 no LCR, juntamente com a elevação dos níveis de T-tau e de P-tau. Este perfil diferencia pacientes com Doença de Alzheimer de controles saudáveis e também de pacientes com outras doenças neurológicas, com elevada precisão. Cabe ressaltar que esta elevada acurácia diagnóstica das dosagens de Beta-amilóide-42 e de T-tau no LCR foram confiemadas em um grande estudo recente ( a coorte do Alzheimer's Disease Neuroimaging Initiative). A razão entre os biomarcadores no LCR podem predizer a velocidade de progressão da Doença de Alzheimer. No entanto, é na busca do diagnóstico precoce, especialmente das fases prodrômicas da doença, que estes biomarcadores podem se mostrar particularmente úteis. Portanto, foi cocluído que níveis baixos de Beta-amilóide-42 e elevados de T-tau e P-tau em pacientes com diagnóstico clínico de comprometimento cognitivo leve auxiliam no estabelecimento da condição de maior risco de conversão para a doença. A combinação dos BIOMARCADORES NO LCR com dados estruturais (medidas volumétricas) obtidos em exame de RESSONÂNCIA MAGNÉTICA oferece maior valor preditivo do risco de conversão de comprometimento cognitivo leve para Doença de Alzheimer do que cada uma das medidas isoladamente. Fontes adicionais de informação, como avaliação neuropsicológica detalhada e métodos de NEUROIMAGEM FUNCIONAL como SPECT (Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único) e PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons), certamente podem proporcionar diagnóstico precoce mais seguro.