TRATAMENTO DA ENXAQUECA DURANTE A GRAVIDEZ E A LACTAÇÃO

15/01/2011 02:19

A maioria das mulheres com enxaqueca ( aproximadamente 75% ) melhora das crises durante a gravidez, principalmente no segundo e no terceiro trimestres da gestação. Entretanto, nas pacientes que não melhoram ou até apresentam agravamento de suas crises, a opção pelo uso de medicamentos deve levar em conta os efeitos tanto na mãe quanto no embrião ou feto. Por conseguinte, a prescrição de drogas preventivas de migrânea ( enxaqueca ) no período gestacional deve ser analisada com extremo critério e, na maioria das vezes, evitada. Há medidas não farmacológicas que devem ser priorizadas, como o repouso em leito inclinado, compressas geladas, biofeedback e relaxamento, mas apesar disso há pacientes que apresentam crises ainda incapacitantes e em uma frequencia bastante incômoda e prejudicial ao desenvolvimento da gravidez. Nesses casos, a paciente e seu par devem participar juntos da decisão de usar ou não essas drogas e conhecer, com clareza, os riscos e benefícios que o tratamento pode produzir.

Os fármacos mais utilizados nessas pacientes são os betabloqueadores ( Propranolol, Atenolol, Metoprolol, Nadolol ), mas outras drogas podem ser aventadas em caso de comorbidades ou ineficiência do tratamento. Independentemente de todos esses fatores, há profissionais que não utilizam medicamentos preventivos nessa fase em virtude do risco de se responsabilizar esse tratamento por eventuais anomalias fetais que ocorram por outros motivos. Entende-se ser essa conduta a mais apropriada na maioria dos casos.

Na lactação ou amamentação, também há riscos para a criança e, assim como na gravidez, deve-se evitar as medicações profiláticas tanto quanto possível.

Os medicamentos antidepressivos utilizados na profilaxia da enxaqueca como a Amitriptilina e a Nortriptilina possuem grau de compatibilidade, sem evidência de risco em humanos, mas não existem estudos controlados.

Dentre os anticonvulsivantes, o Ácido Valpróico possui incompatibilidade no tratamento da enxaqueca na gravidez e na lactação, pela presença de evidências de risco em humanos, em experimentos animais e humanos, não sendo aconselhada a sua prescrição. Outras drogas como o Topiramato e a Gabapentina possuem um grau incerto de compatibilidade, pois a evidência de risco em humanos não foi comprovado.