SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO

23/12/2010 02:14

Túnel do carpo é um canal formado por pequenos ossos situados no punho, que lhe servem de base, e um ligamento transverso, que compõe o teto do túnel. Por esse canal, passam o nervo mediano e nove tendões responsáveis pela flexão dos dedos. O nervo mediano que vem do antebraço e passa para a mão através desse canal estreito, enerva o polegar, as duas faces do indicador e do dedo médio e a face interna do quarto dedo. A sensibilidade e a motricidade de parte do quarto dedo e o quinto dedo são supridas pelo nervo ulnar.

A Síndrome do túnel do carpo é uma neuropatia resultante da compressão do nervo mediano no canal do carpo, estrutura anatômica que se localiza entre a mão e o antebraço. Através desse túnel rígido, além do nervo mediano, passam os tendões flexores que são revestidos pelo tecido sinovial. Qualquer situação que aumente a pressão dentro do canal provoca compressão do nervo mediano e a síndrome do túnel do carpo.
A causa principal da síndrome do túnel do carpo é a L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo), gerada por movimentos repetitivos como digitar ou tocar instrumentos musicais. Existem também causas traumáticas (quedas e fraturas), inflamatórias (artrite reumatóide), hormonais e medicamentosas. Tumores também estão entre as possíveis causas da síndrome.

Síndrome do Túnel do Carpo é o conjunto de sinais e sintomas (dor, dormência, formigamento, falta de força) causados pela compressão do Nervo Mediano no punho.

A principal manifestação de Síndrome do Túnel do Carpo é a dor e dormência que ocorrem nos dedos inervados pelo Nervo Mediano (Polegar, Indicador, Médio e metade do Anular). Esses sintomas pioram durante a noite e ao despertar pela manhã. O alívio parcial pode ser obtido sacudindo as mãos ou abaixando-as. Durante a crise, a dor pode se irradiar para o antebraço, cotovelo, podendo ir até os ombros.

A falta de sensibilidade nos dedos pode causar fraqueza, fazendo com que o paciente frequentemente deixe cair objetos e tenha dificuldade de diferenciar se algo é frio ou quente.

O diagnóstico é feito pelo exame do médico, através das queixas apresentadas pelo paciente e também por testes realizados. O paciente pode apresentar diferentes níveis de gravidade. Como existem tratamentos diferenciados para cada fase da doença, é imprescindível saber em qual o estágio que o paciente se encontra. Para determinar a gravidade, o principal exame realizado é a eletroneuromiografia.

Portanto, o principal sintoma é a parestesia, uma sensação de formigamento, de dormência, que se manifesta mais à noite e ocorre fundamentalmente na área de inervação do nervo mediano.

A evolução da síndrome dificulta manipular estruturas pequenas e executar tarefas simples como pregar um botão, enfiar uma agulha, segurar uma xícara.
Dois testes ajudam a estabelecer o diagnóstico: o teste de Phalen e o teste de Tinel. 
O primeiro consiste em dobrar o punho e mantê-lo fletido durante um minuto. Como essa posição aumenta a pressão intracarpeana, se houver compressão do nervo, os sintomas pioram. 
O teste de Tinel consiste em percutir o nervo mediano. Se ele estiver comprometido, a sensação será de choque e formigamento.
O tratamento leva em conta o grau de comprometimento da doença. Se for leve, indica-se a colocação de uma órtese para imobilizar o pulso e o uso de antiinflamatório não-hormonal. Se não houver melhora, aplica-se cortisona dentro do canal do carpo.

Esgotadas as possibilidades de tratamento clínico, é indicada a cirurgia.

O tratamento na fase inicial da doença é sem cirurgia, chamado de tratamento conservador. Isso ocorre quando o paciente apresenta dor moderada, apenas em determinadas atividades, como dirigir ou falar ao telefone, não tendo perda da sensibilidade nas pontas dos dedos ou atrofia muscular.

Em pacientes nos quais os sintomas já ocorrem durante o dia inteiro, quando há fraqueza muscular ou quando o tratamento com medicamentos não apresentou melhora, é indicado o tratamento cirúrgico. Os pacientes idosos têm uma indicação maior de tratamento cirúrgico que os jovens. Para eles, apenas uma leve atrofia da musculatura tenar é uma forte indicação para tratamento cirúrgico. Isso ocorre porque pacientes idosos têm uma pobre recuperação da força após a atrofia já estar estabelecida.

O edema no túnel do carpo pode comprimir o nervo mediano, causando a síndrome do túnel do carpo. Os tratamentos cirúrgicos cortam o ligamento transverso do carpo a fim de abrir espaço para o nervo. Com o tempo, o novo tecido preencherá o espaço onde o ligamento foi cortado. O tratamento pode ser realizado através da técnica cirúrgica aberta clássica (cirurgia convencional) ou através da cirurgia endoscópica. Através da técnica endoscópica, o cirurgião insere uma pequena câmera montada em um dispositivo que permite visualizar dentro do túnel do carpo por meio de um monitor de vídeo. É um procedimento minimamente invasivo que provoca menos dor no pós-operatório, evita uma incisão aberta que se estende do punho até a palma permitindo uma cicatriz mínima escondida pela prega do punho e maior possibilidade de retorno precoce às atividades normais.