HIPERTENSÃO INTRACRANIANA IDIOPÁTICA

09/12/2010 22:48
A hipertensão intracraniana idiopática (também denominada pseudotumor cerebral) é um distúrbio no qual a pressão em torno do cérebro aumenta sem que haja qualquer evidência de tumor, infecção, interrupção da drenagem do líquido que envolve o cérebro ou outra causa. É um transtorno neurológico caracterizado por um aumento da pressão intracraniana na ausência de lesões expansivas intracranianas e de hidrocefalia ou ventriculomegalia (dilatação dos ventrículos cerebrais) em um paciente sem alterações do nível de consciência.
A síndrome foi descrita pelo médico alemão Heinrich Quincke que utilizou o termo pseudotumor cerebral para explicar um quadro clínico típico de um tumor intracraniano, mas na ausência deste.
É uma condição na população geral com incidência de 1 caso para 100.000 habitantes por ano. Entretanto em mulheres jovens e obesas (índice de massa corpórea – IMC ≥ 30), a incidência pode aumentar em torno de 20 casos por 100.000 habitantes por ano.
Ele é mais comum em mulheres com idade entre vinte e cinquenta anos, sobretudo naquelas com excesso de peso. Na maioria dos casos, nem o início nem o eventual desaparecimento da hipertensão intracraniana idiopática podem ser relacionados a um determinado evento.
Nas crianças, ela ocorre após a retirada de corticosteróides, ou ela ocorre após a criança ter tomado quantidades excessivas de vitamina A ou do antibiótico tetraciclina.
O quadro clínico é caracterizado por cefaleia de forte intensidade e em casos típicos, diária e pulsátil acordando o paciente à noite e caracteristicamente pior na manhã. Náuseas, vômitos e alterações visuais ocorrem com frequência. Alteração de comportamento, zumbido (tinido pulsátil) e tontura também podem ocorrer. No exame neurológico geralmente se identifica papiledema bilateral ou paralisia do VI par craniano (nervo abducente). Diplopia (visão dupla), turvação visual e perda progressiva do campo visual periférico ocorrem devido ao acometimento das funções visuais. O papiledema (edema na parte posterior do olho) é o sinal oftálmico mais relevante para a suspeita diagnóstica, sendo um dado extremamente importante para o diagnóstico. Na evolução do quadro, aproximadamente 5% dos indivíduos apresentam perda temporária da visão, a qual pode ser parcial ou completa, uni ou bilateral.
O primeiro passo da avaliação médica da hipertensão intracraniana idiopática consiste em descartar qualquer causa tratável de elevação da pressão cerebral.
A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) pode ser normal, revelando ausência de lesões que produzam efeito de massa e ausência de hidrocefalia.
A punção lombar geralmente revela uma pressão elevada do líquido cefalorraquidiano, mesmo quando a análise do mesmo parece normal. Portanto, o exame de líquor evidencia hipertensão liquórica, com constituição do líquor normal (parâmetros bioquímicos e citológicos dentro dos limites normais - com celularidade e glicose normal).
A hipertensão intracraniana idiopática frequentemente desaparece espontaneamente num período de seis meses. Os indivíduos com excesso de peso devem procurar emagrecer. Analgésicos ajudam a aliviar a dor de cabeça.
O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. Usualmente tentamos primeiramente o tratamento clínico, que consiste em utilizar medicações que reduzam a produção de líquor e, com isso, a pressão intracraniana. Na ausência de melhora, está indicado o tratamento cirúrgico. Os pacientes podem ser submetidos à fenestração da bainha do nervo óptico (descompressão da bainha do nervo óptico) ou à derivação lombo-peritoneal (shunting), onde um cateter é introduzido na região lombar e drena continuamente o líquor para a cavidade abdominal (derivação instalada cirurgicamente para drenar o líquido do cérebro).
A maior ênfase no tratamento clínico e/ou cirúrgico deve ser no sentido de prevenir ou estabilizar a perda visual.
Uma vez ocorrida a perda da visão, ela pode jamais retornar, mesmo se a pressão intracraniana for aliviada.
Portanto, se você possui os sintomas descritos acima e tem exames de neuroimagem normal, procure um neurologista ou neurocirurgião que poderá estabelecer ou afastar este diagnóstico.