HIDROCEFALIA: Neuroendoscopia

23/12/2010 02:22

No interior do cérebro, existem espaços chamados de ventrículos - cavidades naturais que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido cefalorraquidiano ou simplesmente liquor. O termo hidrocefalia refere-se a uma condição na qual a quantidade de liquor aumenta dentro da cabeça. Este aumento anormal do volume dilata os ventrículos e comprime o cérebro contra os ossos do crânio, provocando sintomas que devem ser rapidamente tratados para prevenir danos mais sérios.

A hidrocefalia ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a reabsorção do líquido cefalorraquidiano. A condição mais comum é uma obstrução (hidrocefalia obstrutiva) da passagem do liquor, seja por prematuridade, cistos, tumores, traumas, infecções ou uma má-formação do sistema nervoso como a mielomeningocele. Em casos raros, a hidrocefalia é causada pelo aumento da produção.

Nas crianças abaixo de dois anos, a cabeça cresce e a fontanela (moleira) pode estar tensa ou mesmo abaulada; pode haver irritabilidade, sonolência e convulsões. Nas crianças maiores, o aumento da pressão intracraniana pode ocasionar cefaléia, náuseas, vômitos, distúrbios visuais, incoordenação motora, alterações na personalidade e dificuldade de concentração. O tratamento geralmente é a instalação de um tubo flexível (válvula) que drenará o excesso de líquido do sistema ventricular. Este tubo possui duas extremidades: uma é colocada dentro do ventrículo cerebral; a outra pode ser inserida dentro do abdome ou do coração, reduzindo a pressão interna dos ventrículos cerebrais.

Atualmente está disponível um procedimento chamado ventriculostomia, feito por neuroendoscopia, procedimento minimamente invasivo. Com uma incisão de apenas 1,5 centímetro na região frontal do crânio é feito um pequeno orifício na porção inferior do ventrículo e, por esta nova abertura, o excesso de líquido encontrará uma saída alternativa, fazendo baixar a pressão intracraniana.

Com o advento da neuroendoscopia, as hidrocefalias obstrutivas passaram a ser tratadas por via endoscópica, tornando-se este o tratamento de eleição em centros com a tecnologia disponível, com êxito superior a 90%. As suas principais vantagens são a resolução da hidrocefalia obstrutiva sem colocação de válvulas, material estranho ao corpo que comumente complica com obstrução, infecção e mau-funcionamento, levando, freqüentemente, o neurocirurgião a revisá-las, submetendo as crianças a novo procedimento cirúrgico-anestésico. A estatística francesa (Saint Rose et al-1998) mostra que em 10 anos, 95% das crianças com válvula necessitam de pelo menos uma revisão.