MALFORMAÇÕES ARTERIOVENOSAS CEREBRAIS

09/09/2013 14:02

As Malformações Arteriovenosas Cerebrais (MAV) são comunicações anormais entre artérias e veias sem a interposição da rede capilar, sob alta pressão e de grande fluxo.

Aparece como um emaranhado de vasos sanguíneos anormais e dilatados, podendo ocorrer em qualquer parte do cérebro. Ao invés dos capilares, vasos de tamanho aumentados conectam as artérias e veias, recebendo o nome de nidus. A consequência disto é que o sangue sob alta pressão no interior das artérias não é mais dissipado pelos capilares e as veias experimentam as mesmas pressões das artérias. Como tais veias apresentam paredes finas e não estão preparadas para receber sangue sob alta pressão, rupturas podem ocorrer, resultando em sangramento cerebral.

Em casos graves, há ruptura dos vasos sanguíneos, causando sangramento cerebral (hemorragia). Uma vez diagnosticada, a MAV cerebral é na maioria dos casos tratada com sucesso.

Muitos pacientes são assintomáticos, sendo descoberta ao acaso.

Os dois sintomas mais característicos são as crises convulsivas e a hemorragia cerebral. Este último, o mais temido, apresenta elevada morbidade (25%) e mortalidade (15%).

Quando o sangramento ocorre no cérebro, os sinais e sintomas podem ser semelhantes a um acidente vascular cerebral.

As opções de tratamento para uma MAV cerebral dependem do tamanho e localização dos vasos sanguíneos anormais.

Uma opção é o acompanhamento clínico do paciente, ou seja, observação clínica, dependendo da localização, do tamanho dos vasos anormais e do alto risco cirúrgico.

Outra opção terapêutica é através de radioterapia, chamada de radiocirurgia estereotáxica (procedimento melhor em malformações pequenas e sem histórico de hemorragia). Esta opção utiliza feixes de radiação apontados de forma precisa para a MAV, levando ao fechamento destes vasos doentes. Os resultados só se tornam perceptíveis após cerca de 1 a 2 anos para eliminar as malformações.

A neurocirurgia é a forma clássica de tratamento. Através de uma abertura cirúrgica do crânio (craniotomia), são removidos os vasos anormais. As malformações que estão em regiões profundas do cérebro apresentam um maior risco de complicações. Nesses casos, outros tratamentos devem ser considerados.

O tratamento endovascular por embolização é a outra opção, mais recentemente desenvolvida. Através de uma punção na virilha (cateterismo), é introduzido um fino cateter que é levado até a região afetada pela MAV. Uma vez atingido o alvo, é injetada uma substância líquida especial embolizante que endurece na presença de sangue, obstruindo os vasos doentes e preservando os normais, reduzindo o fluxo sanguíneo para a MAV e propiciando a sua oclusão. Após a obstrução não há fluxo, impedindo que este vaso enfraquecido rompa e cause hemorragia.

Estas opções podem ser utilizadas em conjunto ou isoladamente, dependendo das características de cada caso.

O importante é uma abordagem multidisciplinar.

Embolização de Malformação Arteriovenosa de Fossa Posterior com a utilização de Onyx (Agente Embolizante)