FIBROMIALGIA

23/02/2012 18:21

O termo fibromialgia refere-se a uma condição dolorosa generalizada e crônica. É considerada uma síndrome porque engloba uma série de manifestações clínicas como a dor, fadiga, indisposição, distúrbios do sono. No passado, pessoas que apresentavam dor generalizada e uma série de queixas mal definidas não eram levadas muito a sério. Por vezes problemas emocionais eram considerados como fator determinante desse quadro ou então um diagnóstico nebuloso de "fibrosite" era estabelecido. Isso porque acreditava-se que houvesse o envolvimento de um processo inflamatório muscular, daí a terminação "ite".

Durante muitos anos, pessoas que sentiam dor pelo corpo, além de cansaço, tristeza, dormência nas mãos, tonteira, alteração de memória, alteração do sono e alterações intestinais, eram considerados com problemas puramente psicológicos. Entretanto, o fato demonstra que estas alterações fazem parte de uma doença chamada de Fibromialgia.

Com o avanço da medicina descobriu-se que a fibromialgia tem como base uma alteração genética associada a três fatores:

ALTERAÇÕES NEUROENDOCRINOLÓGICAS (substâncias que podem modificar o humor, ânimo e gordura de todo o nosso organismo);

ALTERAÇÕES DE NEUROTRANSMISSORES (substâncias que podem modificar as emoções no cérebro);

DISFUNÇÃO NEUROSENSORIAL (alteração no sistema neurológico que pode modificar o modo como sentimos a dor).

Estas três alterações, que são herdadas geneticamente, costumam manifestar-se em uma pessoa após um trauma físico ou emocional como uma grande decepção, morte de um ente querido, separação, etc. O trauma físico ou emocional tem importância fundamental no gatilho para o início dos sintomas da fibromialgia, provavelmente por acentuar um desequilíbrio neuroquímico e hormonal já existente no organismo da pessoa com a herança genética da fibromialgia.

Portanto, diferentes fatores, isolados ou combinados, podem favorecer as manifestações da fibromialgia, dentre eles doenças graves, traumas emocionais ou físicos e mudanças hormonais. Assim sendo, uma infecção, um episódio de gripe ou um acidente de carro, podem estimular o aparecimento dessa síndrome. Por outro lado, os sintomas de fibromialgia podem provocar alterações no humor e diminuição da atividade física, o que agrava a condição de dor.

Vários estudos foram publicados, inclusive critérios que auxiliam no diagnóstico dessa síndrome, diferenciando-a de outras condições que acarretem dor muscular ou óssea. Esses critérios valorizam a questão da dor generalizada por um período maior que três meses e a presença de pontos dolorosos padronizados (tender points ou trigger points).

A fibromialgia pode prejudicar a qualidade de vida e o desempenho profissional, motivos que plenamente justificam que o paciente seja levado a sério em suas queixas. Como não existem exames complementares que por si só confirmem o diagnóstico, a experiência clínica do profissional que avalia o paciente com fibromialgia é fundamental para o sucesso do tratamento.

Os mais comuns e característicos sintomas da fibromialgia são dor, fadiga e distúrbio do sono.

A dor é o principal fator que leva o paciente a procurar cuidados médicos. As queixas dos pacientes em relação aos sintomas dolorosos são expressas com palavras do tipo: pontada, queimação, sensação de peso, entre outras.

O paciente apresenta dificuldade na localização precisa do processo doloroso. Alguns têm a impressão de que ela ocorre nos músculos, outros nas articulações, enquanto uma parte relata que a dor se localiza nos ossos ou "nervos". Uma grande parte destes pacientes se queixa de dor difusa, referindo-se à dor com expressões do tipo: "dói o corpo todo" ou "dói tudo, doutor", quando interrogados sobre a sua localização.

Tem se demonstrado, por meio de diversos estudos, a diminuição da produtividade e da qualidade de vida na fibromialgia. Isso justifica o crescente interesse da classe médica no estudo dessa entidade clínica.

Manifestações não relacionadas à dor muscular são observadas na fibromialgia, algumas presentes em mais de 50% dos casos. Dessa forma, a fibromialgia pode estar associada à fadiga intensa (Síndrome da Fadiga Crônica), à irritação intestinal (Síndrome do Cólon Irritável), à dor de cabeça (Cefaleia), a condições que causam o movimento involuntário das pernas durante o sono (Síndrome das Pernas Inquietas) e à presença de irritabilidade na bexiga. Por vezes o paciente relata inchaço das mãos e dedos arroxeados em ambientes frios (Fenômeno de Raynaud).

É muito frequente o paciente relatar dificuldade para dormir, o que resulta em sonolência diurna. Esse quadro é denominado de sono não restaurador, porque o paciente acorda de manhã cedo com a sensação de que dormiu mal e não descansou durante a noite.

Não se pode deixar de mencionar as alterações do humor presentes na fibromialgia e que podem resultar em quadros de ansiedade e / ou depressão. Pessoas com fibromialgia ocasionalmente referem diminuição na capacidade de se concentrar e de executar tarefas comuns. Não há evidências de que esses problemas se tornem mais sérios com o decorrer do tempo.

A fibromialgia não deve ser encarada como uma doença que necessita de tratamento, mas sim como uma condição clínica que requer controle. Isso porque, na pessoa predisposta, suas manifestações ocorrem ao longo da vida, na dependência de uma gama de fatores físicos e emocionais. Nesse contexto, as manifestações devem ser tratadas na direta proporção de sua gravidade.

De uma forma geral, a abordagem da fibromialgia repousa em quatro pilares a saber:

*Exercícios para alongamento e fortalecimento muscular, assim como para condicionamento cardiorrespiratório.

*Técnicas de relaxamento para prevenir espasmos musculares.

*Hábitos saudáveis para melhorar a qualidade de vida e reduzir o estresse.

*Medicações para o controle da dor e dos distúrbios do sono.

Medicamentos, quando necessários, devem ser prescritos pelo médico. Isso porque em cada recidiva a fibromialgia pode se manifestar de forma diferente, necessitando de diferente abordagem medicamentosa.

O tratamento medicamentoso inclui antiinflamatórios (não são muito eficazes, porém auxiliam no controle da dor quando em associação com outros medicamentos - recomenda-se o uso na abordagem de queixas dolorosas mais proeminetes), antidepressivos tricíclicos (trazem benefício a curto prazo, em geral nas duas primeiras semanas de tratamento), inibidores da recaptação da serotonina (reduzem a fadiga, melhoram o raciocínio e o ânimo do paciente - um inibidor da recaptação da serotonina e antagonista alfa 2 é indicado quando o distúrbio do sono for o sintoma mais proeminente), antidepressivos duais ou de ação dual - inibidores da recaptação de serotonina e de noradrenalina (são modernos, considerados de última geração e excelente eficácia no controle da condição dolorosa e efeito antidepressivo), benzodiazepínicos (promovem relaxamento muscular, diminuem o movimento involuntário de pernas durante o sono, têm efeito analgésico, porém podem exacerbar sintomas depressivos e promover dependência quando usados de forma contínua), anticonvulsivantes (indicados nos casos mais exuberantes de fibromialgia, quando crises agudas de dor estão presentes, espasmos musculares e formigamento), medicações para o sono (recomendado quando o distúrbio do sono não é controlado com o uso de antidepressivos tricíclicos), miorrelaxantes e analgésicos.

A fibromialgia é uma doença real e que seu controle é necessário, pois para as pessoas que sofrem com esta doença existe perda significativa na qualidade de vida com grande prejuízo no trabalho, convívio social e familiar.

O tratamento requer uma visão global do organismo corrigindo as alterações neuroendócrinas, dos neurotransmissores, neurosensoriais, e traumas físicos ou emocional mencionadas acima.