EPILEPSIA E GRAVIDEZ

21/09/2010 01:49

As mulheres com epilepsia apresentam maiores riscos de complicações em gravidez, trabalho de parto e complicações para o concepto do que a população em geral. Todavia, mais de 90% delas têm filhos saudáveis.

Todos os métodos anticoncepcionais podem ser utilizados por mulheres com epilepsia, incluindo-se hormônios, dispositivo intra-uterino, diafragmas ou substâncias protetoras.

As crises epilépticas, particularmente as tônico-clônicas generalizadas, são potencialmente perigosas à mãe e ao feto. Assim, o risco da medicação parece ser menor que o risco de parar a droga antiepiléptica. Aborto, traumas relacionados à queda, hipóxia fetal e acidose são possíveis seqüelas das crises.
Um quarto a um terço das gestantes têm aumento da freqüência de crises, apesar do uso adequado das medicações anticonvulsivantes.

Os problemas obstétricos mais freqüentes encontrados em mulheres com epilepsia são hiperêmese gravídica, sangramento vaginal e anemia. Além disso, é maior a incidência de dificuldade durante o trabalho de parto, parto prematuro e falta do desenvolvimento normal do parto, com maior índice de cesarianas.

Todas as drogas antiepilépticas habitualmente usadas já foram associadas a malformações congênitas. Porém, a maior evidência disponível no momento é que a Carbamazepina, Oxcarbazepina e Lamotrigina são as melhores opções terapêuticas em gestantes com epilepsia. A pior, em termos de defeitos congênitos, é o Valproato (9,7%), seguido de Fenobarbital (6,5%) e Topiramato (4,8%). As drogas antiepilépticas que parecem mais seguras são a Carbamazepina (2,2%), seguida da Oxcarbazepina (2,4%), Lamotrigina (3,2%) e Fenitoína (3,7%), com risco de malformações congênitas menores. 

Até muito recentemente as mulheres com epilepsia eram desencorajadas com relação ao casamento e à maternidade. Apesar de muitos mitos e desinformações terem praticamente desaparecido, a preocupação no cuidado com os filhos ainda persiste. A maioria das mulheres com epilepsia pode cuidar dos seus filhos, porém algumas têm que fazer adaptações e mudanças no seu estilo de vida. 

Há necessidade de um planejamento, desde antes da concepção, baseado no tipo e na freqüência de crises e na ajuda de outros membros da família ou pessoas.
Para a maioria das mães com epilepsia a amamentação no peito é uma boa opção. Todas as drogas antiepilépticas passam para o leite materno na proporção inversa ao grau de ligação protéica plasmática. Isso resulta numa concentração baixa no leite para a maioria das medicações anticonvulsivantes, sem efeitos no lactente.

As mulheres que têm epilepsia devem programar bem a gravidez, tomar ácido fólico três meses antes e três meses depois de engravidar e conversar com o médico para, se possível, tomar medicamentos com menor risco de defeitos congênitos que controlem a doença. O mais recomendado é a monoterapia e definitivamente, devemos evitar a politerapia.

Há uma tendência atual dos ginecologistas e obstetras de evitar contraceptivos orais (pílulas anticoncepcionais) no tratamento de mulheres com epilepsia. A interação entre as pílulas anticoncepcionais e as drogas antiepilépticas é bem documentada, principalmente com a Carbamazepina. Portanto, acredito que a melhor opção no momento são os Dispositivos Intrauterinos (DIUs), pois eles não apresentam efeitos sistêmicos, são bem tolerados e facilmente inseridos.