ENXAQUECA

20/05/2011 21:30

A cefaléia é uma das queixas mais freqüentes da humanidade e um dos principais motivos de procura a consultas médicas. É a principal causa de falta ao trabalho no mundo e estima-se que 90% da população mundial apresente algum tipo de cefaléia ou dor de cabeça, o que causa um importante prejuízo socioeconômico. Segundo a Sociedade Internacional de Cefaléias (International Headache Society) existem mais de 150 tipos de dores de cabeça, sendo a MIGRÂNEA  uma das mais comum.

A migrânea ou enxaqueca é uma doença neurovascular e não uma simples dor. É herdada através de genes e causa um distúrbio neuroquímico no cérebro, levando a uma inflamação neurogênica nas terminações neuronais periféricas da membrana que envolve o cérebro (meninge).
Alguns estímulos são capazes de determinar o surgimento de uma crise de enxaqueca em indivíduos predispostos. Esses fatores desencadeantes variam de acordo com o paciente, mas entre eles podemos destacar o estresse; ingestão de certos alimentos como queijos amarelos, frutas cítricas, embutidos, frituras, chocolates, café, chá, refrigerantes a base de cola, vinhos tinto, cervejas, destilados; sono prolongado ou privação do sono; jejum prolongado; traumas cranianos; uso de medicamentos vasodilatadores; exposição a ruídos altos, odores fortes ou temperaturas elevadas, alterações climáticas; exercícios intensos e menstruação.

A migrânea sem aura é uma cefaléia recorrente, que se manifesta por crises com duração de 4 a 72 horas, caracterizada por localização unilateral, pulsátil, de moderada ou forte intensidade, associação com náusea, foto e fonofobia (intolerância a luz e barulho) e agravada por atividades físicas rotineiras. Já a “com aura” se manifesta por sintomas neurológico que precedem as crises de dor, tais como: sintomas visuais reversíveis (pontos brilhantes, perda da visão, borramento visual, manchas ou linhas), sintomas sensitivos reversíveis (pontada, agulhada ou dormência) ou alteração na fala reversível e geralmente evoluindo de forma gradual e durando menos de 60 minutos.
O tratamento da enxaqueca deve ser composto de três pilares principais: orientação e educação do paciente, prevenção das crises e o tratamento agudo quando o paciente apresenta os episódios de dor. Se algum desses itens faltarem na primeira consulta, o paciente tende a ter uma resposta falha ou incompleta ao tratamento proposto.

As metas da profilaxia incluem: 1) redução da freqüência e intensidade das crises, 2) tornar as crises mais responsivas ao tratamento agudo, e 3) melhorar a qualidade de vida do paciente. Existe ampla evidência clínica sugerindo que existe uma hiperexcitabilidade neuronal nos pacientes com enxaqueca. Existem observações bioquímicas e neurofisiológicas sugerindo que a mobilização de serotonina (5-HT) pode precipitar crises de enxaqueca. Muitos dos medicamentos profiláticos têm alguma influência nos sintomas serotoninérgicos centrais. Drogas que reduzem a freqüência e severidade das crises de enxaqueca podem ter efeitos centrais que reduzem a ativação dos geradores de enxaqueca, diminuem a hiperexcitabilidade neuronal central, elevam o limiar para depressão alastrante cortical e reforçam a antinocicepção central. Os efeitos centrais das drogas profiláticas podem envolver um ou mais dos seguintes mecanismos: antagonismo 5-HT2, regulação dos canais iônicos voltagem dependentes, modulação de neurotransmissores centrais, reforço da inibição gabaérgica, e alteração do metabolismo oxidativo neuronal. As indicações para tratamento profilático incluem: 1) duas ou mais crises por mês, com incapacidade durando três ou mais dias, 2) contra-indicação ou ineficácia das drogas agudas, 3) o uso de drogas agudas por mais de duas vezes por semana, ou 4) circunstâncias especiais, como enxaqueca hemiplégica ou crises raras produtoras de risco de dano neurológico permanente. Os fatores que influenciam na escolha da droga profilática dependem do perfil do paciente, incluindo: 1) freqüência e severidade das crises, 2) incapacidade, 3) impacto na qualidade de vida, 4) comorbidade, 5) eficácia da droga, e 6) efeitos colaterais e taxa risco/benefício. Medicamentos que prejudicam a efetividade da profilaxia incluem os analgésicos, excesso de ergotamina, excesso de agonista 5-HT1, anticoncepcional oral, drogas vasodilatadoras (nitroglicerina e nifedipina, p.e.). Motivos para falha na profilaxia incluem erro diagnóstico, não reconhecimento de comorbidades, dosagem inadequada do medicamento, expectativas irreais e má aderência.

O tratamento preventivo pode levar de 4 a 6 semanas para começar a funcionar e deve ser feito com o objetivo fundamental de reduzir a freqüência e a intensidade das crises. Portanto opta-se por realizar a prevenção das crises basicamente se o paciente tem uma freqüência de dor maior que 2 a 3 vezes por mês ou se a dor, independente da freqüência, tem um caráter incapacitante que justifique a utilização da prevenção.
Quando o médico escolhe uma medicação para ser usada em caráter preventivo, leva em consideração que está tratando uma doença neurológica e que envolve vários sistemas bioquímicos do cérebro.

O objetivo do tratamento das crises de enxaqueca é que a intensidade da dor passe de intensa ou moderada à leve e, se possível, passe para ausente. No tratamento das crises é importante que a medicação esteja adequada à sua intensidade e que a freqüência do uso de antinflamatórios seja limitada, a fim de evitar o desenvolvimento da cefaléia crônica diária por abuso deste tipo de medicação. Também é importante que o médico esteja atento às outras doenças associadas e que o paciente seja devidamente instruído em relação ao seu tratamento, evitando principalmente os fatores que podem desencadear as crises.

É extremamente importante começar com doses pequenas da droga profilática e depois aumentá-las progressivamente, melhorando assim sua tolerabilidade. Escolher a droga mais eficaz e com menos efeitos colaterais. Doses elevadas no primeiro dia de tratamento podem provocar grande efeito colateral, levando o paciente a abandonar o mesmo.