ENXAQUECA E CEFALEIA TENSIONAL: CONHEÇA SUAS DIFERENÇAS

09/01/2010 03:14

Enxaqueca e cefaléia tensional são dores de cabeça, cefaléias primárias que tem características diferentes, podem ser considerados dois polos de um mesmo espectro de manifestações.

A enxaqueca é uma dor de cabeça que normalmente lateja, pulsa, a dor é forte ou moderada, de um lado da cabeça, acompanhada de alterações visuais, incômodo com a luz, com o barulho, enjôo, vômitos e piora com a realização de atividades físicas rotineiras.

A origem da palavra enxaqueca é árabe, e significa meia cabeça, enquanto o seu sinônimo, migrânea, vem do grego antigo ηeμικρανίον (hêmikraníon), "metade do crânio".

Pode-se dividir basicamente a enxaqueca em suas formas ditas com aura e sem aura. A aura seria um fenômeno neurológico específico, como a ocorrência de escotomas, alterações visuais, que em geral precedem em minutos o aparecimento da dor. Nem sempre esse tipo de alteração ocorre - daí a ocorrência da chamada enxaqueca sem aura, por sinal mais comum. Tais alterações ocorreriam por distúrbios elétricos negativos ao nível do córtex cerebral, em especial na região occipital, responsável pela visão.

Portanto, a enxaqueca é uma condição clínica configurada por vários graus de dores internas na cabeça. Por vezes uma dor no pescoço ou na zona cervical é também interpretada como enxaqueca. A enxaqueca resulta da pressão exercida por vasos sanguíneos dilatados no tecido nervoso cerebral subjacente. O tratamento da enxaqueca envolve normalmente drogas vaso-constritoras para aliviar esta pressão. No entanto, esta medicamentação pode causar efeitos secundários no sistema circulatório e é desaconselhada a pessoas com problemas cardiológicos. O termo cefaléia é também utilizado para designar qualquer dor de cabeça, podendo, no entanto, ser uma enxaqueca ou não (de fato, por vezes, a cefaléia ou dor de cabeça pode não ser uma doença mas um sintoma de outra, como um tumor cerebral, uma meningite, um derrame cerebral ou sinusite aguda, por exemplo).

Já a cefaléia tensional é uma dor de cabeça mais fraca, é como se fosse o contrário da enxaqueca, o inverso da enxaqueca, a dor é em peso, não lateja, a dor é de fraca a moderada intensidade, não é acompanhada de enjôo, nem incômodo com o barulho e a luz.

A cefaléia tensional tem como causa um excesso de contratura muscular na região cervical, e da toda a musculatura pericraniana, os músculos que estão junto ao crânio, cabeça.

Assim como na enxaqueca, a tensão, ansiedade, nervosismo, irritabilidade, stress (estresse) são causadores que deflagram as crises de cefaleia tensional.

Existem pacientes que apresentam os dois tipos de crises, dores de cabeça mais fracas, com as características da cefaléia tipo tensional e ao mesmo tempo, outras crises mais fortes com as características da enxaqueca.

O tratamento desta associação de crises deve seguir os mesmos princípios de tratamento das cefaléias, com o conceito de prevenção como o mais importante.

Há um mito generalizado de que a enxaqueca é emocional, não tem cura ou tratamento, seria uma forma do paciente chamar atenção e assim por diante. Não é verdade - isso reflete preconceitos, e atualmente há várias estratégias bastante adequadas de tratamento, seja medicamentosas na crise ou na prevenção das mesmas, ou medidas de relaxamento, como o biofeedback e orientações quanto ao modo de vida do paciente, que certamente o beneficiarão bastante. Muitas enxaquecas podem ser eliminadas quando as suas causas são corrigidas.

O tratamento da cefaléia tensional tem principalmente abordagem preventiva, isto é, evitar que a dor de cabeça apareça. O uso de remédios preventivos é a base do tratamento, mas medidas não medicamentosas como relaxamento, fisioterapia, psicoterapia (principalmente da linha cognitiva comportamental), yoga, exercícios físicos, acupuntura são usados.

Analgésicos devem ser evitados quando a dor de cabeça é frequente, com mais de duas vezes por semana, pois pode causar uma cefaléia de rebote. Relaxantes musculares podem ser utilizados, assim como antidepressivos e também remedios neuromoduladores.

Remédios podem ser iniciados para evitar que venham as crises, mas analgésicos podem ser dados, evitando-se o uso excessivo de comprimidos para dor.

Medidas não medicamentosas podem ser utilizadas com sucesso na prevenção da enxaqueca como a terapia cognitiva comportamental. Exercícios físicos são fundamentais para que o sistema de dor esteja equilibrado, produzindo adequadamente as endorfinas.

Medidas outras como a acupuntura e em alguns casos pode ser feita também a aplicação da toxina botulínica. Procedimentos como bloqueios de nervo occipital são feitos em casos onde haja um componente cervical importante.