DOENÇA DE PARKINSON E TRANSTORNOS DO HUMOR

02/08/2013 22:36

Os transtornos do humor mais comuns encontrados na doença de Parkinson são depressão, apatia e ansiedade. Transtornos depressivos significativos estão presentes de 10 a 80% dos pacientes com Doença de Parkinson. A depressão está associada à Doença de Parkinson em cerca de 50% dos casos. A depressão, ainda pode ser dividida em subtipos, como: depressão maior, distimia e depressão menor. A depressão maior associada à Doença de Parkinson confere pior prognóstico, quando comparada aos demais tipos. É mais comum na forma rígido-acinética e quando os sintomas surgem no lado direito do corpo. Os sintomas depressivos estão correlacionados a baixos escores de qualidade de vida relacionada à saúde e são os principais determinantes desses escores. Os sintomas depressivos parecem estar relacionados à disfunção catecolaminérgica, afetando o sistema límbico que regula as emoções e as funções afetivas.

O diagnóstico de depressão só deve ser feito, usando-se os critérios clínicos como falsos negativos (não há sintomas aparentes suficientes, mas a doença existe), que podem ocorrer em pacientes com humor diminuído e anedonia, mas com poucos sintomas somáticos; reciprocamente, falsos positivos (há sintomas aparentes suficientes, mas a doença não existe) podem ocorrer na ausência de depressão devido a um grande número de superposição de sintomas somáticos envolvidos na Doença de Parkinson. Os critérios do DSM-IV exigem a presença de um dos critérios essenciais para depressão (tristeza e falta de interesse), e um total de cinco ou mais sintomas, incluindo perda significativa de peso, insônia ou hipersonia, retardo psicomotor ou agitação, fadiga, sentimento de culpa, redução da concentração ou determinação ou pensamentos recorrentes de morte; sem levar em consideração os efeitos da medicação. A expressão emocional do paciente com Doença de Parkinson não serve como parâmetro para o diagnóstico clínico de depressão, porque pode não expressar o real sentimento. A perda do interesse sem tristeza é mais comum ser encontrada na depressão menor do que nas demais; assim, a depressão menor está mais próxima da apatia do que da própria depressão.

Apatia é comumente observada em pacientes com Doença de Parkinson, além de ser vista associada em fase severa de déficits cognitivos, sendo um preditor de declínio cognitivo e de demência. A apatia é definida como uma síndrome de redução da motivação, caracterizada pela deficiência em três componentes: atividades, cognição e emoção. A apatia pode ocorrer como prejuízo de um componente cognitivo ou de depressão. A apatia na Doença de Parkinson varia entre 16 a 42% dos casos, entretanto, a comorbidade com depressão e disfunção cognitiva, especialmente envolvendo os lobos frontotemporais, tem um impacto significativo sobre a motivação e pode simular uma apatia difícil de ser diferenciada. Do ponto de vista clínico, o paciente apático não reage à qualidade das criticas, quer sejam negativas quer sejam positivas. Uma das principais limitações para se agrupar os sintomas de apatia é a superposição com os sintomas de depressão, como falta de interesse, energia e prazer também são vistos na depressão e podem resultar em problemas motores. A diferença entre depressão e apatia pode não ser visível. Existem critérios essenciais como: a falta de motivação relativa do paciente relacionado com sua vida prévia e cultural, e mais outro critério não essencial relacionado ao comportamento: adinamia na realização das atividades de vida diária e depender de outros para as atividades do dia a dia; na cognição, falta de interesse para aprender algo e falta de habilidade para resolver problemas pessoais. Normalmente, uma pessoa com apatia não reage com o humor diante de estímulo negativo ou positivo, enquanto que uma pessoa com depressão reage ao estímulo negativo.

Ansiedade é um termo genérico para designar vários tipos de síndromes. Quando a ansiedade está associada à Doença de Parkinson, pode-se apresentar por ataque de pânico, agorafobia sem pânico, ansiedade generalizada, fobia específica, fobia social. É possível que o transtorno de ansiedade tenha alguma relevância com o perfil de personalidade do paciente, e após o aparecimento dos sintomas da Doença de Parkinson, especialmente da forma de tremor, o paciente aumente seus sintomas ansiosos em graus variáveis de acordo com sua personalidade. O fato de se tornarem o centro das atenções por uma causa negativa, pode ser o fator intensificador do tremor, mesmo medicada; em outro momento de tranquilidade o tremor pode diminuir ou parar com a medicação.