DEGENERAÇÃO DISCAL CERVICAL

27/05/2013 23:04

A coluna vertebral é composta por vértebras, discos intervertebrais, nervos, músculos, medula e ligamentos.

As vértebras da coluna são separadas por pequenos amortecedores fibrocartilaginosos conhecidos como discos intervertebrais.

A degeneração discal é um processo degenerativo comum envolvendo o núcleo pulposo e o ânulo fibroso. Com a idade ocorre a desidratação do disco intervertebral, particularmente o núcleo pulposo, o que gera o seu desgaste. Essas alterações normalmente iniciam na terceira década da vida e tornam-se importantes em indivíduos idosos. O disco intervertebral perde altura (colapso do disco) e normalmente formam-se abaulamentos, protrusões e hérnias discais.

A degeneração discal pode produzir rupturas internas neste disco. Essas rupturas levam à diminuição do espaço discal intervertebral. Com as rupturas surge também a dor na coluna cervical. A diminuição da altura dos espaços discais poderá fazer com que os nervos sofram compressão, produzindo dor na coluna cervical e com irradiação para os braços, podendo chegar até às mãos.

O principal sintoma é a dor na coluna cervical, que pode se irradiar para os membros superiores e pode aumentar com a movimentação do pescoço. Flexão, extensão e rotação do pescoço, geralmente intensificam muito as dores, enquanto o repouso diminui a intensidade.

O paciente com cervicalgia costuma adquirir uma atitude de defesa com contratura da musculatura paravertebral. Ocorre também uma alteração na mobilidade do pescoço e dor durante a palpação da musculatura do pescoço podendo também abranger a região do ombro e nos casos mais graves ou prolongados irradiando para todo o membro superior.

Em relação à dor, o paciente pode queixar-se desde uma dor leve local e uma sensação de cansaço, até uma dor mais forte e limitante. O braço, além de doer, pode apresentar alterações de sensibilidade e força muscular, são as chamadas “alterações neurológicas”.

O paciente refere “adormecimento” de alguma área ou de todo o membro, podendo ser contínua ou desencadeada por algum fator. A fraqueza muscular acontece em casos mais graves ou prolongados sendo geralmente progressiva. Podem existir também alterações nos reflexos tendinosos em casos mais graves.

O paciente deverá ser submetido ao exame neurológico detalhado e minucioso na busca de déficits sensitivos e/ou motores.

Os pacientes que apresentam degeneração do disco cervical são tratados com medicação, fisioterapia, quiropraxia, acupuntura, repouso e também outros métodos de tratamento da dor. Quando os procedimentos terapêuticos clínicos (tratamento conservador) não surtem efeito, indicamos a cirurgia.

A maioria dos pacientes melhoram sem intervenção cirúrgica. Entretanto, quando houver uma indicação médica definida, não se deve adiar. A intervenção cirúrgica, pela sua segurança, rapidez de resolução, e eficácia, proporcionadas atualmente pelas técnicas modernas de microcirurgia aliados à certeza diagnóstica das imagens, dispensam o paciente do sofrimento prolongado do repouso no leito, dos efeitos colaterais dos medicamentos, e das crises álgicas sucessivas.

IMAGEM DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DA COLUNA CERVICAL DEMONSTRANDO PROTRUSÕES DISCO-OSTEOFITÁRIAS DE C3-C4 À C6-C7, COM IMPORTANTE HÉRNIA DISCAL C5-C6 COMPRIMINDO AS RAÍZES NERVOSAS E A MEDULA. MEDULA CERVICAL AFILADA AO NÍVEL DE C5-C6, APRESENTANDO EDEMA, SECUNDÁRIA À MIELOPATIA COMPRESSIVA.

IMAGENS ABAIXO: Ressonância Magnética da Coluna Cervical demonstrando “protrusões” discais de C2-C3 à C7-D1, com amplitude do canal vertebral preservada e sem compressão medular.

Neste caso, o paciente apresenta cervicalgia sem sinais de radiculopatia e/ou mielopatia, respondendo ao tratamento conservador. Porém, a degeneração discal é uma condição progressiva, devendo sempre ser avaliado cada caso individualmente, bem como a opção terapêutica a ser instituída.