APNÉIA DO SONO

08/09/2010 18:35

É uma doença (síndrome) crônica, evolutiva, com alta taxa de morbidade e mortalidade, apresentando um conjunto sintomático múltiplo que vai desde o ronco até a sonolência excessiva diurna, com repercussões gerais hemodinâmicas, neurológicas e comportamentais.

O fator determinante da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) está localizado nas vias aéreas superiores (VAS), especialmente na faringe. O colapso de suas paredes durante o sono pode restringir, em parte, o fluxo aéreo, produzindo vibrações de baixa frequência, constituindo o ronco. O ronco não pode mais ser avaliado simplesmente pelo seu aspecto social e deve ser considerado um problema médico, pois pode preceder a SAOS em mais de 90% dos casos. 

É uma doença grave na qual paradas respiratórias (apnéias) ocorrem repetidamente durante o sono. Estas paradas respiratórias provocam inúmeros microdespertares durante o período do sono, que duram poucos segundos e não ficam registrados na memória. É por isso que a pessoa nunca lembra desses microdespertares pela manhã. Quem está ao lado, costuma perceber, sendo muito difícil para o portador de apneia acreditar ou aceitar essa verdade, pois acha que dorme bem e durante toda à noite.

A função dos microdespertares é de que a pessoa realize algum movimento que a faça voltar a respirar (estratégia utilizada pelo cérebro para manter a pessoa viva) e, em poucos segundos, volte a aprofundar o sono. Porém, em seguida, ocorrerá nova apneia, reiniciando o ciclo, e causando sucessivas interrupções durante todo o período em que a pessoa estiver dormindo. É este o responsável pelo cansaço e sonolência no dia seguinte.

A Apneia do sono em estado avançado pode levar a acidentes, depressão e outras complicações. Por isso, é muito importante a prevenção e o tratamento precoce.

São sintomas da apneia obstrutiva do sono: ronco, sono agitado, falta de disposição e sonolência durante o dia, dor de cabeça, perturbação da memória, da atenção e da concentração, tendência à depressão, hipertensão, arritmias cardíacas e, especialmente, inúmeros microdespertares dos quais o portador do distúrbio pode lembrar-se ou não. Se chega a acordar por si mesmo, o faz por duas razões: o esforço que despende para respirar e a hipoxemia, que alerta seu cérebro sobre a falta de oxigênio. 

Além do relato das pessoas que convivem com os portadores da apneia obstrutiva do sono, a avaliação médica e a polissonografia, exame para mapear o comportamento durante o sono, são dados importantes para fechar o diagnóstico.

O tratamento é sempre multidisciplinar e varia de acordo com a gravidade do caso. O primeiro recurso terapêutico é tentar reduzir os fatores agravantes da SAOS.

Para tanto, o paciente precisa:

1) combater as causas da obstrução nasal e do refluxo gastroesofágico; 2) perder peso; 3) dormir de lado; 4) evitar o uso de bebidas alcoólicas, calmantes, relaxantes musculares e cigarro algumas horas antes de dormir.

Se essas medidas não forem suficientes, pode-se recorrer, ainda, ao uso de próteses orais que evitam a queda da língua para trás, e aos CPAPs,  máscaras especiais que mantêm pressão positiva e contínua sobre as vias aéreas, evitando sua obstrução. Há situações, porém, em que cirurgias ou cauterizações se fazem necessárias para corrigir os elementos que geram a obstrução, como os que estão associados às alterações das amídalas e adenóides.