Perguntas e Respostas

O QUE É DOENÇA DE ALZHEIMER?


A doença de Alzheimer é a mais freqüente forma de demência entre idosos. É caracterizada por um progressivo e irreversível declínio em certas funções intelectuais: memória, orientação no tempo e no espaço, pensamento abstrato, aprendizado, incapacidade de realizar cálculos simples, distúrbios da linguagem, da comunicação e da capacidade de realizar as tarefas cotidianas. Outros sintomas incluem, mudança da personalidade e da capacidade de julgamento.

Erroneamente conhecida pela população como "esclerose" ou como "velhinho gagá" não está relacionada com problemas circulatórios.

Os sintomas começam com um declínio linear progressivo das funções cognitivas, apresentando perda de memória (inicialmente para fatos recentes), confusão, desorientação, ansiedade, agitação, ilusão, desconfiança, alteração da personalidade e do senso crítico, dificuldades em reconhecer familiares e amigos, perder-se em ambientes conhecidos, distúrbios do sono, movimentos e fala repetitiva, problemas com ações rotineiras, dificuldades com a fala e a comunicação, dependência progressiva para realizar suas funções cotidianas, dificuldade em tomar decisões, dificuldade em alimentar-se e banhar-se, alucinações, inapetência, perda de peso, incontinência urinária e fecal.

Existem dois tipos de doença de Alzheimer: a doença de Alzheimer familiar que ocorre em adultos jovens e parece ter um caráter hereditário importante e a forma esporádica na qual o fator hereditário não é óbvio. Aproximadamente 5% da doença de Alzheimer é familiar e 95% é esporádica. Na forma familiar da doença, vários membros de uma mesma geração são afetados. Na forma esporádica, a doença desenvolve-se a partir de uma grande variedade de fatores que os cientistas ainda estão tentando determinar. A idade é o fator de risco mais conhecido e importante para a forma esporádica da doença. Ter um familiar com Alzheimer aumenta o risco duas ou três vezes na forma esporádica mas não há como prever se você irá ter a doença ou não.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA ESCLEROSE MÚLTIPLA, UMA DOENÇA DIFÍCIL DE SER IDENTIFICADA EM SUAS FASES INICIAIS?

Muitas vezes, a fase inicial da esclerose múltipla é bastante sutil e está representada por sintomas transitórios que duram uma semana, cinco dias. Essas características fazem com que o paciente não dê importância às primeiras manifestações da doença que, na sua forma mais comum, é remitente-recorrente, ou seja, os sintomas vão e voltam e independem do tratamento. A pessoa pode passar dois ou três anos apresentando pequenos sintomas sensitivos, pequenas turvações da visão ou pequenas alterações no controle da urina sem dar importância a esses sinais porque em três ou quatro dias eles desaparecem e são atribuídos ao mau posicionamento do corpo durante o sono ou a um cisco que entrou no olho e turvou a visão, por exemplo. As coisas vão caminhando assim até que apareça um sintoma de maior magnitude representado por fraqueza importante numa perna ou por perda visual prolongada e só então o médico é procurado.

FEITO O DIAGNÓSTICO DE ESCLEROSE MÚLTIPLA, COMO DEVE SER ORIENTADO O TRATAMENTO?

Paciente com a doença muito frustra pode ficar sem tratamento. Se teve a primeira inflamação e foi confirmado que se trata de doença inflamatória desmielizante com sintoma transitório que logo desapareceu, vamos acompanhar a evolução do quadro com o subsídio laboratorial fornecido pela ressonância magnética. Esse exame deve ser repetido a cada três ou seis meses. Se houver repetição das inflamações, é preciso ficar alerta e estabelecer um programa de medicação preventiva. Se for constatado que as inflamações não se repetem, o paciente deve ser mantido sob observação e eu faço a análise periódica de seu cérebro através das imagens obtidas pela ressonância magnética. Quando a doença não dá sinais de retorno, não há necessidade de introduzir o tratamento porque os recursos de que dispomos não são curativos e têm efeitos colaterais bastante adversos. Por isso, é preciso sempre nos posicionar no sentido de escolher a melhor conduta terapêutica para cuidar de cada pessoa em particular.

EXISTEM EXAMES SUBSIDIÁRIOS PARA DIAGNÓSTICO DA ESCLEROSE MÚLTIPLA NAS FASES INICIAIS DA DOENÇA?

Hoje, contamos com a ajuda da ressonância magnética, um exame que permite fazer o diagnóstico da doença quando aparecem os primeiros sintomas. Se nos reportarmos às décadas de 1970, 1980, a dificuldade era muito maior. Com o advento da Ressonância Magnética do neuro-eixo, ou seja, do Cérebro e da Medula Espinhal, temos a possibilidade de separar aquilo que seriam queixas sem nenhuma função orgânica comprometida do que está realmente comprometido pela doença.

SEMPRE VALE A PENA TRATAR OS DOENTES COM ESCLEROSE MÚLTIPLA QUE TENHAM SURTOS FREQUENTES?

Se o doente apresentar mais do que duas manifestações clínicas por ano, se no período de seis meses a um ano entre dois exames, a ressonância magnética revelar número crescente de lesões novas, deve ser prescrito tratamento para controlar a imprevisibilidade da doença. Muitos pacientes chegam a declarar que se sentiriam menos abalados se soubessem que tinham uma doença de progressão lenta, mas que não lhes passasse a sensação de que "hoje estou bem, amanhã talvez não possa trabalhar ou não consiga ler nem escrever uma palavra sequer". Portanto, é a imprevisibilidade dos sintomas que ainda hoje determina a prescrição do tratamento, cujo objetivo é reduzir o impacto da recidiva na vida dos doentes.

O QUE É TDAH?

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados “egoístas”. Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.

Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH.

Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção.

Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH.

Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

O Tratamento do TDAH deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, além de técnicas específicas que são ensinadas ao portador. A medicação é parte muito importante do tratamento. A psicoterapia que é indicada para o tratamento do TDAH chama-se Terapia Cognitivo Comportamental.

O tratamento com fonoaudiólogo está recomendado nos casos onde existe simultaneamente Transtorno de Leitura (Dislexia) ou Transtorno da Expressão Escrita (Disortografia). O TDAH não é um problema de aprendizado, como a Dislexia e a Disortografia, mas as dificuldades em manter a atenção, a desorganização e a inquietude atrapalham bastante o rendimento dos estudos.

Metilfenidato, é um medicamento da classe dos psicoestimulantes usado para tratar o TDAH. É um fármaco estimulante do sistema nervoso central. Pode ser administrado a crianças a partir dos 6 anos de idade. O fármaco eleva o nível de alerta do sistema nervoso central. Incrementa os mecanismos excitatórios do cérebro. Isto resulta numa melhor concentração, coordenação motora e controle dos impulsos. O medicamento deverá ser prescrito preferencialmente por um médico neurologista ou psiquiatra habilitado.

CRIANÇA PODE TER ENXAQUECA?

Sim. A maior causa de dor de cabeça em crianças é a enxaqueca. Ela deve sempre ser diferenciada de problemas sérios como tumores cerebrais e meningites, mas isto só pode e deve ser feito por um médico sério e criterioso. Estima-se que 4 a 8% das crianças tenham enxaqueca e, felizmente, as crises tendem a ser menos intensas e incapacitantes do que nos adultos. As crianças geralmente evoluem bem só com o repouso e gelo na cabeça, e os medicamentos devem ser evitados ao máximo.

A enxaqueca, por ser uma doença bioquímica do cérebro transmitida geneticamente, não pode ser curada no sentido claro da palavra. Porém nas crianças que iniciam suas crises antes dos 10 anos, há uma chance significativa (40%) de na puberdade as crises desaparecerem espontaneamente. Também há crianças que fazem o tratamento, melhoram muito e, ao suspendermos este tratamento, as crises não mais retornam, sendo isto considerado como cura.

Há sinais de alerta para que os pais possam proceder a avaliação imediata. Esses sinais podem ser resumidos assim: dor muito forte em quem não tinha dor de cabeça. Dor com localização e/ou intensidade diferente, em quem já tinha dor de cabeça. Dor acompanhada ou precedida por sintomas ou sinais neurológicos do tipo dormência, perda da força muscular, paralisias, olho desviado, pescoço duro (ou nuca rígida). Dor na vigência de febre alta e vômitos. Só o médico saberá como realizar o diagnóstico correto.

CONVULSÃO FEBRIL É EPILEPSIA?

Não. As convulsões febris são conseqüência da febre em crianças com três meses a cinco anos de idade. Elas afetam cerca de 4% de todas as crianças e tendem a ocorrer em famílias. A maioria das crianças apresenta apenas uma convulsão febril e a maioria das crises convulsivas dura menos de 15 minutos. As crianças que sofreram uma convulsão febril apresentam uma probabilidade discretamente mais elevada de desenvolver epilepsia mais adiante em suas vidas. As convulsões febris não são uma doença. O exame neurológico objetivo é normal e não há alterações em exames de neuroimagem (Tomografia, Ressonância).

Não existe unanimidade em relação ao tratamento ou não da convulsão febril.

O QUE É EPILEPSIA DO LOBO TEMPORAL?

A epilepsia do lobo temporal (ELT) é uma al­teração neurológica, com ativação da área do córtex temporal, com repercussões de ordem neuropsico­lógica importantes a serem consideradas na prática clínica, especialmente quando ocorre na infância, repercutindo, principalmente em alterações de lin­guagem e memória. As crianças com ELT podem manifestar dis­túrbios de comportamento e problemas de apren­dizagem escolar, mesmo na ausência de déficit cog­nitivo global. Há alta freqüência de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, déficits de me­mória e comprometimentos de funções neuropsico­lógicas como atenção, linguagem, praxia construtiva e funções executivas.

O QUE É APNÉIA DO SONO, QUAIS AS CAUSAS, SINTOMAS E TRATAMENTOS?

A Síndrome da Apnéia e Hipopnéia Obstrutiva do Sono (SAOS) é caracterizada pela obstrução das vias  aéreas superiores durante o sono, com diminuição e até cessação do fluxo aéreo. Possui prevalência ao redor de 4% a 6% na população adulta, maior em homens e mulheres após o climatério. Os fatores de risco mais descritos para a SAOS são a obesidade, o sexo masculino, o envelhecimento,  o uso de álcool ou drogas indutoras do sono, tabagismo, circunferência do pescoço aumentada, dismorfismo craniofacial, além do sedentarismo. Durante os episódios de apnéia, o organismo desencadeia mecanismos para aumentar o tônus muscular e abertura das vias aéreas, com consequente fragmentação do sono. Na maioria das vezes, os episódios de despertar duram menos de 30 segundos e não são suficientes para o paciente ter consciência. Associado aos despertares breves, há liberação de hormônios de estresse, como a adrenalina, que aumenta a pressão arterial e a frequencia cardíaca. Os sintomas mais comuns encontrados em pacientes com a SAOS são sonolência excessiva diurna, queixas de ronco e pausas respiratórias, além de diminuição da memória, fadiga, indisposição, impotência sexual, entre outras. O exame de escolha para o diagnóstico da SAOS é a POLISSONOGRAFIA, que evidencia, além do ronco, uma quantidade de pausas respiratórias maior que 10 segundos e superior a cinco por hora. O tratamento consiste em abertura das vias aéreas superiores, seja por aparelhos orais nos casos leves, o uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas superiores) nos casos graves e moderados, seja por procedimentos cirúrgicos extensos em casos extremos, refratários ou com contra-indicações aos outros tratamentos. Em casos de SAOS grave, há uma relação direta com hipertensão arterial, maior prevalência dos acidentes vasculares cerebrais, insuficiência cardíaca congestiva e de infarto agudo do miocárdio.

CPAP é a sigla em inglês de Contiunous Positive Airway Pressure ou seja, pressão positiva contínua na via aérea. É a forma mais eficaz de tratamento da Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono (SAOS). O sistema CPAP consiste de um gerador de fluxo que, através de uma máscara nasal, fornece uma pressão de ar suplementar que mantém a via aérea desobstruída.

COMO SE CARACTERIZA A NARCOLEPSIA?

Um distúrbio do sono incomum, a narcolepsia caracteriza-se por episódios incontroláveis e recorrentes de sono durante as horas normais de vigília, assim como pela cataplexia, pela paralisia do sono e por alucinações. A causa da narcolepsia é desconhecida, mas o distúrbio tende a ocorrer em famílias, o que sugere uma predisposição genética. Embora a narcolepsia não tenha conseqüências clínicas graves, ela pode ser assustadora e pode aumentar o risco de acidentes. Geralmente, os sintomas se iniciam na adolescência ou no início da vida adulta em indivíduos saudáveis e persistem por toda a vida. Um indivíduo com narcolepsia apresenta episódios súbitos de sono incontrolável que podem ocorrer em qualquer momento. O indivíduo pode resistir ao adormecimento por pouco tempo, mas ele pode ser facilmente despertado quando estiver dormindo. Podem ocorrer poucos ou muitos episódios em um mesmo dia, cada um durando uma hora ou menos. A probabilidade da ocorrência de um episódio de narcolepsia é maior quando o indivíduo depara-se com situações monótonas como, por exemplo, encontros enfadonhos ou longos períodos dirigindo em uma auto-estrada. O indivíduo pode sentir-se descansado ao acordar, mas pode adormecer novamente alguns minutos após. O indivíduo com narcolepsia pode apresentar uma paralisia momentânea sem perda de consciência (condição denominada cataplexia), em resposta a uma reação emocional súbita (p.ex., raiva, medo, alegria, um acesso de riso ou surpresa). Ele pode apresentar fraqueza nas extremidades, deixar cair algo que esteja segurando ou sofrer uma queda. Além disso, ele também pode apresentar episódios ocasionais de paralisia do sono. Logo após adormecer ou assim que ele acorda, o indivíduo deseja movimentar-se, mas é incapaz de fazê-lo. Essa experiência pode ser aterrorizante. No início do sono ou, menos freqüentemente, ao despertar, o indivíduo também pode ter alucinações vívidas, durante as quais ele vê ou ouve coisas inexistentes. As alucinações são similares às dos sonhos normais, porém mais intensas. Apenas aproximadamente 10% dos indivíduos com narcolepsia apresentam todos esses sintomas; a maioria apresenta apenas alguns deles.

Apesar do diagnóstico geralmente ser baseado nos sintomas, sintomas similares não indicam necessariamente que um indivíduo apresenta narcolepsia. A cataplexia, a paralisia do sono e as alucinações são comuns em crianças de baixa idade e ocorrem ocasionalmente em adultos saudáveis. Se o médico tiver dúvidas quanto ao diagnóstico, o paciente deve ser encaminhado a um laboratório de estudo do sono. Um eletroencefalograma (EEG), que consiste no registro da atividade elétrica do cérebro, pode revelar a ocorrência de padrão de sono REM quando o indivíduo adormece, o que é típico da narcolepsia. Não foram observadas alterações estruturais no cérebro nem alterações nos exames de sangue.

Medicamentos estimulantes, como a efedrina e o metilfenidato podem ser úteis no alívio da narcolepsia. O Modafinil é um fármaco neurotrópico aprovado para o tratamento da Narcolepsia com importante eficácia no tratamento. É contra-indicado em crianças, hipertensos e portadores de arritmias cardíacas. Pode ser necessário o ajuste da dose para se evitar efeitos colaterais como espasmos, hiperatividade ou perda de peso. Por essa razão; o médico deve controlar rigorosamente o seu paciente no início do tratamento medicamentoso. A imipramina, um medicamento antidepressivo, normalmente auxilia no alívio da cataplexia.

O QUÉ NEURALGIA DO TRIGÊMEO, QUAIS OS SINTOMAS E TRATAMENTOS?

Neuralgia do trigêmeo, ou nevralgia do trigêmeo, provoca uma dor absolutamente inesquecível. É uma dor muito, muito forte que pega um lado da face, dura segundos e desaparece. O problema é que ela geralmente volta com grande intensidade, em intervalos de tempo variáveis. A neuralgia do trigêmeo se distribui segundo três territórios especiais: a região frontal que toma a órbita ocular e parte do nariz , a região malar que se estende até a asa do nariz e parte do lábio superior  e a região temporal que passa pelo lado do ouvido e acompanha a mandíbula ou maxilar inferior.
O nervo do trigêmeo, um par de nervos cranianos, recebe esse nome porque tem três ramos: o ramo oftálmico, o ramo maxilar (acompanha o maxilar superior) e o ramo mandibular (acompanha a mandíbula ou maxilar inferior). Como vários outros nervos da face, é um nervo sensitivo que controla as sensações que se espalham pelo rosto. Por isso, a dor se distribui de acordo com o ramo acometido.

 As pessoas são capazes de relatar com detalhes o dia e as circunstâncias do momento, mesmo que o episódio doloroso tenha ocorrido muitos anos antes. Aliás, a neuralgia do trigêmeo é considerada uma das dores mais violentas que afligem o ser humano. Talvez, por esse motivo, as crises nunca sejam esquecidas.
Em geral, o primeiro episódio é inesquecível e pode repetir-se numa freqüência extremamente variável de paciente para paciente. Às vezes, ocorre duas, três vezes por dia e em qualquer horário. Também é comum ouvir que, durante anos, as crises eram diárias, desapareceram por seis meses e depois voltaram com mais intensidade e freqüência.

Portanto, a dor em fisgada, repetitiva, sem razão aparente que caracteriza a neuralgia do trigêmeo pode sumir por períodos longos, mas há o risco de que volte a manifestar-se mais freqüente, progressiva e intensamente.

A causa da neuralgia essencial do nervo trigêmeo não é conhecida. No entanto, sabe-se que algumas situações podem provocar a dor. Por exemplo, tumores benignos, meningiomas, neurinomas do nervo trigêmeo são causas comuns de neuralgia trigeminal. Malformação dos vasos localizados na região posterior do encéfalo também pode provocar sintomas similares. Nos casos em que existe um fator orgânico provocador, geralmente o exame neurológico revela alterações, pois além da referencia à dor paroxicística, da dor em choque, existe uma sensação de dormência, de formigamento na face. Já nos 95% dos pacientes com neuralgia sem causa determinada, o exame neurológico é absolutamente normal.
O tempo varia muito. Pode haver meses ou anos de intervalo. O mais comum são os intervalos de semanas ou de poucos meses entre uma crise e outra. Intervalos de anos constituem as exceções.

Outro dado importante para diagnóstico é a neuralgia do trigêmeo nunca ser uma dor bilateral. Numa fase da vida, ela pode atingir um lado, depois passar para o outro, mas nunca se manifesta nos dois ao mesmo tempo. Uma crise dos dois lados é considerada uma raridade.
Em se tratando de neuralgia do trigêmeo, o mais simples é o tratamento medicamentoso e a primeira escolha recai sobre drogas anticonvulsivantes já consagradas no mundo todo. Atualmente há um arsenal de medicamentos comprovadamente eficazes no controle das crises álgicas da neuralgia trigeminal com boa tolerância e boa resposta farmacológica com menos efeitos adversos. No início, esses medicamentos podem ser administrados em doses menores, mas, se necessário, elas poderão ser aumentadas progressivamente.
Embora esses medicamentos possam controlar, às vezes por tempo longo, às vezes por toda a vida, a crise de dor do paciente, é preciso pôr na balança os benefícios e os efeitos adversos que o uso dessas drogas produz.
A neuralgia do trigêmeo predomina na terceira idade. Às vezes, há necessidade de ir aumentando progressivamente a dose de tal forma que surgem efeitos colaterais. Doses muito elevadas desses medicamentos que, em geral, são anticonvulsivantes, podem provocar desequilíbrio, tontura, diminuição da capacidade de raciocínio.
De qualquer maneira, esse tratamento conservador costuma ser bastante eficaz, mas requer avaliação periódica das condições do paciente para aumentar as doses guardando margem de segurança.
Vamos considerar três hipóteses: o paciente não tolera o medicamento, desenvolve alergia por ele ou atingiu a dose limite sem resultados efetivos. Nesses casos, para tratar a neuralgia do trigêmeo existe o tratamento cirúrgico através de técnicas cirúrgicas diferentes que podem aliviar a dor. Porém, é sempre importante a consulta com um médico especializado para definir a escolha entre o tratamento conservador (não cirúrgico) e o tratamento cirúrgico e avaliar suas vantagens e desvantagens.

O QUE É NEURALGIA DO GLOSSOFARÍNGEO?

A neuralgia do glossofaríngeo é um distúrbio raro no qual um indivíduo apresenta episódios recorrentes de dor intensa na parte de trás da garganta, perto das tonsilas, e, algumas vezes, afeta o ouvido do mesmo lado. A neuralgia do glossofaríngeo normalmente se inicia após os 40 anos de idade e ocorre mais freqüentemente em homens que em mulheres. A sua causa é desconhecida. Assim como na neuralgia do trigêmeo, os episódios são breves e intermitentes, mas eles causam uma dor lancinante que pode ser desencadeada por determinada ação (p.ex., mastigar, deglutir, falar ou bocejar). A dor costuma durar de alguns segundos até alguns minutos e, comumente, afeta apenas um lado. Os mesmos medicamentos utilizados no tratamento da neuralgia do trigêmeo – a carbamazepina, a fenitoína, o baclofeno e os antidepressivos – podem ser eficazes. Quando o tratamento medicamentoso não for bem sucedido, pode ser necessária a realização de uma cirurgia para bloquear ou seccionar o nervo glossofaríngeo, seja ao nível do pescoço ou da base do cérebro.

O QUE É CONCUSSÃO CEREBRAL?

A concussão é uma perda da consciência e, algumas vezes, da memória de curta duração que ocorre após uma lesão cerebral e que não caussa nenhuma lesão orgânica evidente. As concussões causam uma disfunção cerebral, mas não acarretam lesão estrutural visível. Elas podem ocorrer mesmo após um traumatismo crânio-encefálico menor, dependendo da intensidade com que o cérebro foi mobilizado no interior da caixa craniana. Uma concussão pode deixar o indivíduo um pouco confuso, com cefaléia e com uma sonolência anormal. A maioria dos indivíduos recupera-se completamente em algumas horas ou dias. Alguns indivíduos apresentam tontura, dificuldade de concentração, esquecimento, depressão, falta de sensibilidade ou de emoções e ansiedade. Esses sintomas podem persistir por alguns dias ou várias semanas, mas, raramente, prolongam-se por mais tempo. Enquanto isso, o indivíduo pode apresentar dificuldades no trabalho ou nos estudos ou para se relacionar com os outros. Esse distúrbio é denominado síndrome pós-concussão. A síndrome pós-concussão é uma situação enigmática, pois não se conhece a razão pela qual esses problemas ocorrem após um traumatismo crânio-encefálico leve. Os especialistas discordam sobre a causa desses sintomas: se eles se manifestam devido a lesões microscópicas ou a fatores psicológicos. A terapia medicamentosa e o tratamento psiquiátrico são eficazes para alguns pacientes, mas não para todos. Mais preocupante que a síndrome pós-concussão é o fato dos sintomas mais graves poderem se manifestar algumas horas ou mesmo dias após a lesão original. A piora das cefaléias e da confusão mental e o aumento da sonolência indicam a necessidade de uma atenção médica urgente. Geralmente, o tratamento não é necessário quando o médico determina a não existência de uma lesão mais grave. No entanto, todos os indivíduos vítimas de um traumatismo crânioencefálico são informados sobre os sinais de alerta da piora da função cerebral. Os pais de crianças pequenas são orientados como monitorizá-las no que diz respeito a essas alterações, durante as horas que sucedem o traumatismo. Desde que os sintomas não piorem, o acetaminofeno poderá ser administrado para aliviar a dor. Se a lesão não for grave, a aspirina poderá ser administrada após os primeiros 3 ou 4 dias.

QUAIS SÃO OS TIPOS DE HEMATOMAS INTRACRANIANOS?

Os hematomas intracranianos são acúmulos de sangue no interior do cérebro ou entre o cérebro e o crânio. Os hematomas intracranianos podem ser decorrentes de uma lesão ou de um acidente vascular cerebral. Um hematoma intracraniano relacionado a uma lesão geralmente forma-se no revestimento externo do cérebro (hematoma subdural) ou entre essa membrana de revestimento e o crânio (hematoma epidural). Esses dois tipos de hematoma são facilmente visualizados na tomografia computadorizada (TC) ou na ressonância magnética (RM). A maioria dos hematomas apresenta um desenvolvimento rápido e produzem sintomas em minutos. Os hematomas crônicos, os quais são mais comuns em indivíduos idosos, são de progressão lenta e produzem sintomas somente após horas ou dias. Os hematomas grandes comprimem o cérebro, produzem edema e acabam destruindo o tecido cerebral. Eles também provocam herniação da parte superior do cérebro ou do tronco encefálico. Os hematomas intracranianos produzem perda da consciência, coma, paralisia em um ou em ambos os lados do corpo, dificuldade respiratória, problemas cardíacos ou mesmo a morte. Os hematomas também podem causar confusão mental e perda da memória, principalmente nos indivíduos idosos. Um hematoma epidural é conseqüência de um sangramento de uma artéria localizada entre as meninges (o tecido que reveste e protege o cérebro) e o crânio.

A maioria dos hematomas epidurais ocorrem quando uma fratura craniana suprajacente secciona a artéria. Como o sangue encontra-se sob uma maior pressão nas artérias que nas veias, ele sai com mais força e rapidez das artérias. Algumas vezes, os sintomas manifestam- se imediatamente, geralmente como uma cefaléia intensa, mas eles podem ser retardados por várias horas. Às vezes, a cefaléia desaparece, mas retorna após algumas horas e mais intensa. Em seguida, o indivíduo pode apresentar um aumento da confusão mental, sonolência, paralisia, colapso e coma profundo. O diagnóstico precoce é fundamental e geralmente depende de uma tomografia computadorizada (TC) de emergência. Os hematomas epidurais são tratados assim que são diagnosticados. É criado um orifício com o auxílio de uma furadeira para drenar o sangue acumulado e o cirurgião busca a fonte do sangramento e o interrompe. Os hematomas subdurais são conseqüência do sangramento de veias localizadas ao redor do cérebro. O sangramento pode iniciar subitamente após um traumatismo crânio-encefálico grave ou mais lentamente após um menos grave. Os hematomas subdurais de desenvolvimento lento são mais comuns nos indivíduos idosos, pois suas veias são frágeis, e nos alcoolistas, os quais podem ignorar traumatismos crânio-encefálicos leves a moderados. Em ambas as situações, a lesão inicial pode ser leve e os sintomas podem passar desapercebidos durante várias semanas. Contudo, a RM ou a TC podem revelar o acúmulo de sangue decorrente da lesão. Em um lactente, um hematoma subdural pode aumentar o tamanho da cabeça, pois o crânio é mole e maleável. No mínimo por razões estéticas, os médicos geralmente realizam a drenagem cirúrgica do hematoma. Nos adultos, os hematomas subdurais pequenos freqüentemente são absorvidos espontaneamente. Os hematomas subdurais grandes que causam sintomas neurológicos comumente são drenados cirurgicamente. As indicações de drenagem incluem a cefaléia persistente, sonolência intermitente, confusão mental, alterações da memória e paralisia leve no lado oposto do corpo.

QUAIS AS CAUSAS E TRATAMENTO DA CORÉIA E ATETOSE?

A coréia consiste em movimentos involuntários, breves, espasmóticos, como movimentos de dança, que começam em uma parte do corpo e passam a outra de forma brusca e inesperada e, freqüentemente, de modo contínuo. A atetose é o fluxo contínuo de movimentos lentos, sinuosos, de contorção, geralmente nas mãos e nos pés. A coréia e a atetose podem ocorrer simultaneamente (coreoatetose).

A coréia e a atetose não são doenças e sim sintomas que podem ser decorrentes de várias doenças muito distintas. Os indivíduos com coréia e atetose apresentam anormalidades nos gânglios basais do cérebro. A função dos gânglios basais é suavizar os movimentos grosseiros, que são iniciados por comandos provenientes do cérebro. Na maioria das formas de coréia, um excesso do neurotransmissor dopamina nos gânglios basais altera a sua função de ajuste fino. Os medicamentos e as doenças que alteram os níveis de dopamina ou a capacidade do cérebro de reconhecer a dopamina podem piorar a coréia. A doença que mais freqüentemente causa a coréia e a atetose é a doença de Huntington, mas trata-se de uma doença bem rara, afetando menos de 1 em cada 10.000 indivíduos. A doença de Sydenham (também chamada dança de São Vito ou coréia de Sydenham) é uma complicação de uma infecção infantil causada por certos estreptococos e pode durar vários meses. Algumas vezes, a coréia ocorre em indivíduos idosos sem qualquer razão aparente e afeta principalmente os músculos da boca e periorais. As mulheres também podem ser afetadas nos primeiros 3 meses de gestação, mas a coréia desaparece sem tratamento imediatamente após o parto.

A coréia que se desenvolve como um efeito colateral de algum medicamento pode melhorar se a droga for interrompida, mas nem sempre ela desaparece. Os medicamentos que bloqueiam a ação da dopamina, como as drogas antipsicóticas, podem ajudar a controlar os movimentos anormais.

O QUE É HIDROCEFALIA E COMO SE TRATA?

Hidrocefalia é a dilatação das cavidades cerebrais ( ventrículos cerebrais ). Se manifesta pelo aumento do perímetro cefálico, fontanela “moleira” tensa e hipertensão intracraniana. Pode ter várias etiologias, podendo ser congênita ou adquirida. O tratamento é feito através da colocação de uma derivação ventrículo-peritoneal ( válvula ) ou pela realização da neurocirurgia endoscópica , evitando-se com este procedimento, a colocação da válvula.

PARA QUE SERVE A NEUROENDOSCOPIA?

Trata-se de um procedimento cirúrgico, introduzido no Brasil no início da década de 90. Sua grande aplicação tem sido para o tratamento da hidrocefalia, evitando-se então a colocação da válvula ventrículo-peritoneal. A neuroendoscopia só deve ser utilizada no tratamento da hidrocefalia obstrutiva, ou também conhecida como não comunicante, portanto não é um método para ser usado em todos os tipos de hidrocefalia. A rigorosa seleção do paciente torna-se de fundamental importância para o sucesso da cirurgia.
A neuroendoscopia tem sido usada para o tratamento de alguns tumores que tem a sua localização dentro do sistema ventricular e tumores hipofisários. Este procedimento pode também ser realizado para alguns tipos de cistos aracnoideos, especialmente os supra-selares.

QUAIS AS FORMAS DE TRATAMENTO DO CISTO ARACNOIDEO?

Entende-se por cisto aracnoideo, uma formação cística intracraniana, com líquido em seu interior, e que tem suas paredes formadas pela membrana aracnoidea. Na grande maioria das vezes estes cistos são congênitos, já nascendo com a criança. Eles podem variar em tamanho e localização e isto irá definir se precisarão de tratamento ou se podem ser apenas acompanhados clinicamente, sem a necessidade de intervenção cirúrgica. Caso estejam causando algum sintoma clínico, poderão ser tratados de três maneiras: com a colocação de uma válvula (válvula cistoperitoneal), através de uma fenestração microcirúrgica ou até mesmo com a neuroendoscopia. Para decidirmos a melhor maneira de tratá-lo devemos fazer uma criteriosa avaliação das imagens radiológicas através de uma ressonância magnética do crânio.

O QUE SERIA CRANIOSSINOSTOSE OU CRANIOESTENOSE?

Este termo se refere à situação onde ocorre a fusão prematura de uma ou mais linhas cartilaginosas de união entre os ossos do crânio de uma criança . Quando isto acontece, ocorre o desenvolvimento assimétrico do crânio, gerando uma configuração peculiar à cada linha cartilaginosa de união que se encontra fechada. O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado de forma precoce, preferencialmente entre três e seis meses de idade.

QUAIS OS TUMORES ENCEFÁLICOS MAIS FREQUENTES EM CRIANÇAS?

São os tumores que envolvem o cerebelo, sendo os mais freqüentes o astrocitoma , meduloblastoma e o ependimoma. Geralmente se manifestam através da síndrome de hipertensão intra-craniana ( cefaléia, vômitos e edema de papila óptica ) e desequilíbrio, observa-se o desenvolvimento da hidrocefalia obstrutiva.
Outros tumores freqüentes são os que envolvem o eixo hipotálamo-hipofisário, como o craniofaringeoma. O tratamento é sempre cirúrgico.