Clínica de Cefaleia

Cefaleia é o termo médico utilizado para designar dor de cabeça, ou seja, cefaleia e dor de cabeça são as mesmas coisas.

A cefaleia, ou dor de cabeça, é um sintoma que pode ser secundário a várias doenças, como resfriados, meningites e tumores cerebrais. Porém, em muitas situações, a dor de cabeça é a própria doença. Neste caso, é chamada de cefaleia primária. Esse é o caso da enxaqueca. Ela é um tipo de cefaleia primária, das mais frequentes na população.

Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita as cefaleias mais comuns não são aquelas relacionadas a doenças potencialmente graves, como aneurismas e tumores cerebrais. Esses quadros felizmente são raros. As cefaleias mais frequentes são as chamadas primárias, entre elas, a cefaleia do tipo tensional e a enxaqueca.

Cefaleia é um sintoma muito frequente e deve ser considerado um sinal de alerta, seja ela consequência de problemas graves ou não.

Podemos classificar as cefaleias de várias maneiras.

Segundo a etiologia:

a) Cefaleias primárias: são as que ocorrem sem etiologia demonstrável pelos exames clínicos ou laboratoriais usuais. O principal exemplo é a migrânea (enxaqueca), a cefaleia tipo tensional, a cefaleia em salvas e outras. Nestes casos, desordens neuroquímicas, encefálicas têm sido demonstradas, envolvendo desequilíbrio de neurotransmissores, principalmente para a migrânea. Tais desordens seriam herdadas e, sobre tal susceptibilidade endógena, atuariam fatores ambientais.

b) Cefaleias secundárias: são as provocadas por doenças demonstráveis pelos exames clínicos ou laboratoriais. Nestes casos, a dor seria consequência de uma agressão ao organismo, de ordem geral ou neurológica. Citamos, como exemplo, as cefaleias associadas às infecções sistêmicas, disfunções endócrinas, intoxicações, ainda à hemorragia cerebral, às meningites, encefalites ou a lesões expansivas do Sistema Nervoso Central.

Após o atendimento de um paciente com cefaleia, o médico deve estar seguro para optar entre o diagnóstico de cefaleia primária ou secundária. Os exames subsidiários deverão ser solicitados, quando há impossibilidade de certeza diagnóstica de cefaleia primária.

Segundo o modo de instalação e evolução:

a) Cefaleias explosivas: são as que surgem abruptamente, em fração de segundo, atingindo a intensidade máxima instantaneamente, às vezes, com o paciente se referindo a um estalo. Esta instalação sugere a ruptura de um aneurisma arterial intracraniano ou de outras malformações vasculares. Existem, no entanto, tipos benignos de cefaleia que podem ter início dessa forma, a cefaleia orgásmica e a “thunderclap headache”.

b) Cefaleias agudas: são as que atingem seu máximo em minutos ou poucas horas. Tanto as cefaleias primárias como as secundárias podem apresentar este tipo de instalação. Citamos, como exemplos, a migrânea, cefaleia tipo tensional, meningites, encefalites, hemorragias cerebrais não arteriais, sinusites agudas.

c) Cefaleias subagudas: instalação insidiosa, atingindo o ápice em dias ou poucos meses (até três meses). Ocorrem, principalmente, nas cefaleias secundárias, decorrentes de hematomas subdurais, tumores de crescimento rápido, meningites crônicas (fungo, tuberculose).

d) Cefaleias crônicas: são as que persistem por meses ou anos e, em geral, são primárias. Podem ser recidivantes, ocorrendo por período variável de tempo (minutos, horas, dias) para depois desaparecerem, reaparecendo algum tempo depois, como a migrânea, cefaleia em salvas, cefaleia tipo tensional esporádica e outras. Podem ser persistentes, aparecendo diariamente ou quase diariamente, por um período mínimo de quatro horas. A intensidade da dor deve permanecer mais ou menos a mesma no decorrer dos meses. São estas as características da cefaleia crônica diária, uma das que mais aparecem em consultórios médicos, especializados em cefaleia. O médico deve estar atento, nas cefaleias crônicas, para mudanças das características ou da intensidade da dor, pois podem indicar o aparecimento de cefaleia secundária associada.

A dor de cabeça simples ou cefaleia de tensão, em geral é consequência de tensão muscular, posição desconfortável do corpo, fadiga, ou do estresse social e até psicológico.

Uma cefaleia tensional é uma dor ou desconforto na cabeça, couro cabeludo ou pescoço, geralmente associada à tensão muscular nessas áreas.

A cefaleia tensional é uma das formas de dor de cabeça mais comuns. Ela pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos e adolescentes.

Se uma dor de cabeça ocorrer duas ou mais vezes por semana durante vários meses ou por mais tempo, a doença é considerada crônica. As cefaleias crônicas e diárias podem ser resultado do tratamento insuficiente ou excessivo de uma cefaleia primária. Por exemplo, os pacientes que tomam analgésicos mais de três vezes por semana, regularmente, podem desenvolver cefaleias de rebote.

A cefaleia tensional pode ocorrer quando o paciente também apresenta enxaqueca.

Ela ocorre quando os músculos do pescoço e do couro cabeludo ficam tensos ou se contraem. As contrações musculares podem ser uma resposta a estresse, depressão, trauma na cabeça ou ansiedade.

Qualquer atividade que exija que a cabeça seja mantida em uma mesma posição por muito tempo sem se mover pode causar uma dor de cabeça. Isso inclui atividades como digitar ou realizar outras ações no computador, trabalhos manuais delicados que exigem precisão e atenção e a utilização de um microscópio. Dormir em um quarto frio ou dormir com o pescoço em uma posição incomum também pode desencadear uma cefaleia tensional.

A dor de cabeça simples é caracterizada por: dor contínua e moderada sobre os olhos ou na parte posterior da cabeça, sensação de compressão, como uma faixa em torno da cabeça.

A dor pode estender-se por toda a cabeça e, algumas vezes, para baixo, em direção à região posterior do pescoço e aos ombros. A dor da cefaleia tensional pode ocorrer como um evento isolado, ser constante ou diária. Ela pode durar de 30 minutos a sete dias. Pode ser desencadeada ou piorar por estresse, fadiga, barulho ou claridade excessiva. Pode causar insônia. A cefaleia tensional normalmente não causa náusea ou vômito.

Em geral, as pessoas com cefaleia tensional tentam aliviar a dor massageando o couro cabeludo, as têmporas ou a base da nuca.

A cefaleia tensional costuma responder bem ao tratamento sem apresentar efeitos residuais.

Embora não seja perigosa sob o ponto de vista médico, a cefaleia tensional crônica pode ter um impacto negativo na sua qualidade de vida e na sua produtividade profissional.

A enxaqueca, ou migrânea, é um tipo de dor de cabeça onde acontecem crises de cefaleia tipicamente latejantes, de moderada a forte intensidade, que pioram com atividades físicas rotineiras, como caminhar e até mexer a cabeça, acompanhadas de intolerância à claridade e ao barulho, náuseas e, às vezes, vômitos. Mais comumente, as dores ocorrem na região frontal da cabeça, na testa e nos olhos, ou nas têmporas, de um lado só da cabeça. Porém, cada pessoa tem a sua crise de enxaqueca, ou seja, essas características podem mudar um pouco de pessoa para pessoa. A localização da dor pode ser variável, acontecer na cabeça toda e até na face e região dos ouvidos. Nem todas as pessoas têm náuseas e vômitos. Podem aparecer outros sintomas acompanhantes, como tonturas rotatórias (chamadas vertigens), quedas ou elevação da pressão arterial, taquicardia, intolerância a cheiros, diarreia, alterações do sono, humor e até do apetite.

Os fatores mais frequentes que podem iniciar uma crise são:

1. Alimentos e bebidas:

Queijos amarelos envelhecidos;

Frutas cítricas (principalmente laranja, limão, abacaxi e pêssego);

Banana (principalmente d'água);

Linguiças;

Salsichas e alimentos de coloração avermelhada, em conserva;

Frituras e gorduras;

Chocolates;

Café, chá e refrigerantes à base de cola;

Aspartame (adoçante artificial);

Glutamato monossódico (tipo de sal usado como intensificador de sabor, principalmente em comida chinesa);

Vinhos (principalmente o tinto);

Cervejas e chope.

2. Hábitos alimentares e sono:

Ficar mais de cinco horas seguidas sem se alimentar;

Dormir mais ou menos do que o de costume.

3. Variações bruscas de temperatura e umidade do ar:

Entrada em ambientes frios, estando antes em ambiente quente e vice-versa;

Ingestão de líquidos gelados com o organismo aquecido ou suando muito.

4. Fatores hormonais, emocionais e estresse:

É muito comum mulheres portadoras de enxaqueca apresentarem dor nas fases pré, durante ou após a menstruação.

Muitas mulheres têm as crises pioradas a partir do momento que iniciam o uso de anticoncepcionais orais.

Na menopausa, muitas mulheres melhoram espontaneamente e voltam a piorar quando iniciam a reposição hormonal.

Esteja sempre preparado: os portadores devem ter a medicação para as crises sempre à mão.

Em caso de dor intensa, procure um local fresco e escuro para recostar, mas não deite.

Coloque gelo sobre as áreas doloridas. Tome o medicamento recomendado pelo seu médico, mas nunca mais de duas vezes por semana. Beba muita água e coma moderadamente. Descanse.

Somente o médico pode dizer qual a melhor medicação para quem sofre de enxaqueca, mas as crises podem ser reduzidas ao evitar os fatores desencadeantes.

Ainda não se tem certeza da causa da enxaqueca, mas as pesquisas atuais apontam para uma tendência hereditária ou familiar que o cérebro da pessoa com enxaqueca tem de responder aos eventos estressores com dor de cabeça. A dor é um mecanismo de defesa muito importante, ou seja, sinaliza para nós que algo não vai bem e que o nosso organismo pode estar em risco, como quando nos machucamos ou temos alguma infecção. Dessa forma, ter dor NUNCA é normal. Mas, nas pessoas com enxaqueca, o mecanismo de dor está exacerbado e o individuo responde com dor a qualquer estimulo estressante, como se o organismo estivesse em risco o tempo todo. Estímulos não dolorosos como barulho, cheiros, claridade, atividade física, jejum, mudanças na rotina de sono, álcool, alguns alimentos, mudanças hormonais da menstruação e menopausa e, principalmente, estresse emocional (até emoções positivas) provocam dor.

Antes de citar qualquer tratamento medicamentoso, é importante a pessoa ser orientada de que a enxaqueca é uma tendência hereditária, não há uma cura, e que ela pode se manifestar em qualquer fase da vida, se existir uma exposição aos gatilhos já citados. Se as dores de cabeça forem frequentes ou intensas o bastante para interferir no dia a dia, um médico deve ser procurado e, se possível, um neurologista, que é o profissional mais capacitado a diagnosticar e orientar sobre o tratamento das cefaleias. A automedicação com medicamentos para combater a cefaleia, como analgésicos e anti-inflamatórios, deve ser evitada, principalmente em dores mais frequentes, pois já e sabido que o uso excessivo dessas medicações pode piorar o quadro, tornando a cefaleia ainda mais intensa e recorrente. O profissional capacitado, após fazer o diagnóstico, vai poder lhe orientar sobre como reconhecer seus principais fatores desencadeantes e assim evitar a crise, sobre o tratamento agudo se essa ocorrer e se necessário o tratamento chamado profilático, que tem como objetivo prevenir que as dores aconteçam.

A cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeça onde a dor é localizada somente numa parte da cabeça e é muito intensa. Ocorre em um lado da cabeça e pode causar lacrimejamento dos olhos e congestão nasal. Os ataques ocorrem regularmente por uma semana até um ano, separados por longos períodos sem dor que duram, no mínimo, um mês, talvez mais.

A cefaleia em salvas é uma forma bastante comum de dor de cabeça crônica e repetitiva. Ela é mais comum em homens que em mulheres. As dores de cabeça podem ocorrer em qualquer idade, mas são mais comuns na adolescência e na meia-idade. Normalmente, elas atingem pessoas da mesma família.

Os cientistas não sabem exatamente o que causa a cefaleia em salvas, mas ela está, aparentemente, relacionada à liberação repentina de histamina ou serotonina pelo corpo.

Ainda não foi descoberta a sua cura e não existe nenhum tratamento específico para a doença, mas os pacientes podem beneficiar-se do uso de uma máscara de oxigênio a 100% no momento em que os sintomas da doença tornarem-se evidentes.

Uma cefaleia em salvas começa como uma dor de cabeça forte e repentina. Geralmente, a cefaleia ataca de duas a três horas após a pessoa cair no sono, durante a fase dos sonhos (movimento rápido dos olhos ou REM). Entretanto, ela pode ocorrer enquanto você está acordado. Tende a atacar no mesmo horário do dia.

A dor da cefaleia em salvas atinge um dos lados da cabeça. Ela pode ser descrita como: ardente, aguda e constante.

A dor pode ocorrer em um olho, atrás ou ao redor dele. Ela pode: envolver um lado da face, do pescoço à têmpora; piorar rapidamente, chegando ao seu ápice dentro de cinco a dez minutos; a dor mais forte pode durar de 30 minutos a duas horas. O olho e o nariz do mesmo lado em que há dor também podem ser afetados. Os sintomas podem incluir: inchaço embaixo ou ao redor do olho (pode afetar os dois olhos); lacrimejamento excessivo; olhos vermelhos; rinorreia (corrimento nasal) ou uma das narinas congestionadas (mesmo lado da dor de cabeça); rosto corado.

A cefaleia em salvas pode ocorrer diariamente durante meses, alternando-se com períodos sem dores (episódica), ou pode ocorrer durante um ano ou mais sem interrupção (crônica).

A crise de dor de cabeça pode durar de 15 minutos a 3 horas ininterruptas, podendo se repetir de 1 a 8 vezes ao dia, durante semanas ou meses.

O período entre crises pode durar de 2 meses a até mais de 10 anos.

Na maioria dos pacientes que sofrem com a cefaleia em salvas, o estresse e o cansaço estão relacionados com o aparecimento das crises, mas não existe comprovação científica deste fato.

A idade em que este tipo de enxaqueca começa a se manifestar encontra-se entre os 20 e os 40 anos, e apesar da causa ser desconhecida, a maioria dos pacientes são homens.

O tratamento não cura as cefaleias em salvas. O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas. A dor de cabeça pode desaparecer sozinha ou talvez seja necessário um tratamento para evitar o aparecimento da dor.

Fumar, ingerir bebidas alcoólicas, determinados alimentos e outros fatores que parecem desencadear a dor de cabeça em salvas devem ser evitados. Manter um diário sobre as suas dores de cabeça pode ajudar a identificar os desencadeadores da dor. Quando tiver uma dor de cabeça, anote o dia e o horário em que a dor começou. O diário também deve conter anotações sobre o que você comeu e bebeu nas 24 horas anteriores, quantas horas dormiu e o que estava acontecendo na sua vida momentos antes da dor começar. Por exemplo: você estava sob estresse incomum? Também inclua informações sobre a duração da dor de cabeça e o que fez com que ela parasse.

A cefaleia em salvas não é fatal e, geralmente, não causa alterações estruturais permanentes. Entretanto, ela é crônica e, frequentemente, muito forte, chegando a interferir no trabalho ou no estilo de vida. Às vezes, a dor é tão aguda que algumas pessoas pensam em ferir a si mesmas.

Se você tiver tendência à cefaleia em salvas, pare de fumar. Também pode ser necessário evitar bebidas alcoólicas e todos os alimentos que são associados à cefaleia em salvas. Os medicamentos podem prevenir o surgimento da cefaleia em salvas em alguns casos.